sexta-feira, 27 de setembro de 2013

GEHP - Inspiração para a escolha do nosso nome 'PLETHOS'

‘Quantidade’ diz-se do que é divisível em duas ou mais partes constituintes, cada uma das quais é por natureza ‘uma’ e certa coisa determinada. Uma quantidade é uma pluralidade se for numerável, e uma grandeza se for mensurável. “Pluralidade” ou “multiplicidade” significa o que é potencialmente divisível em partes não contínuas; “grandeza”, o que é divisível em partes contínuas. Da grandeza, o que é contínuo em uma dimensão é o comprimento; em outra dimensão, a largura; e, na terceira, a espessura ou profundidade. A pluralidade limitada é o número, o comprimento limitado uma linha, a largura uma superfície e a espessura um corpo.
Algumas coisas são chamadas quantidades em virtude de sua própria natureza, outras acidentalmente; p.ex., a linha é uma quantidade por sua própria natureza, enquanto o músico o é por acidente. Das coisas que são quantidades por natureza, algumas o são como substâncias; p.ex., a linha é uma quantidade (pois “uma certa espécie de quantidade” está presente na sua própria definição), e outras são modificações ou estados dessa espécie de substância, como muito e pouco, longo e curto, largo e estreito, profundo e raso, pesado e leve, e todos os demais atributos desta espécie. E também o grande e o pequeno, o maior e o menor, tanto em si mesmo como quando os consideramos relativamente uns aos outros, são por sua própria natureza atributos do que é quantitativo; mas estes nomes são também transferidos a outras coisas. Das que são quantidades por acidente, algumas dizem-se assim no sentido em que se afirmou que o músico e o branco eram quantidade, isto é, pelo fato de ser uma quantidade aquilo de que se predica a brancura e a musicalidade; e outras são quantidades no sentido em que o são o movimento e o tempo, pois estes também são considerados como uma espécie de quantidade e como contínuos, por serem divisíveis as coisas de que são atributos. Não me refiro ao que é movido, mas ao espaço através do qual se move; com efeito, é por ser este uma quantidade que o movimento também o é, e é por ser o movimento uma quantidade que também o é o tempo.

(Aristóteles, Metafísica – Livro V, 1010b, pág. 127-128)